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AviárioRenato Carvalho
Raça

Crest / Crestbred

O Rei da Fancy, e a lição de que o essencial nem sempre usa coroa.

O Rei da Fancy, e a lição de que o essencial nem sempre usa coroa

Identidade

O Crest é uma das raças inglesas mais antigas e nobres, conhecida no século XIX como o "Rei da Fancy". É um canário de tipo, criado pela sua presença física e, acima de tudo, pela magnífica poupa que lhe coroa a cabeça. Mas o Crest não existe sozinho: forma uma só raça com o Crestbred, o seu parceiro de cabeça lisa, e essa dupla encerra uma das lições mais elegantes de toda a canaricultura.

A história

A mutação da poupa surgiu por volta de 1770, e as primeiras aves eram conhecidas como "turn-crown". Ao longo do século XIX, a poupa espalhou-se por várias raças da época, sobretudo o Norwich. Procurando uma poupa maior, os criadores cruzaram o Crested Norwich com o Lancashire, que trazia uma poupa ampla em forma de ferradura. O novo tipo, exibido pela primeira vez em 1879, afastou-se de tal forma do Norwich original que acabou por largar o nome e tornar-se raça própria. No seu auge vitoriano, era uma ave caríssima, ao alcance apenas dos ricos, o que lhe valeu o título de Rei da Fancy.

A genética, que é o coração da raça

Aqui está o que define tudo. O gene da poupa é dominante, mas letal em dose dupla. Acasalar dois Crests resulta em cerca de um quarto dos embriões a morrer na casca, por deformação do crânio. Por isso, um criador responsável nunca cruza poupa com poupa. O Crest acasala sempre com o Crestbred de cabeça lisa, e dessa união nascem cerca de metade Crest e metade Crestbred, todos saudáveis. O Crestbred não é, portanto, um Crest falhado nem um subproduto: é parte integral da raça e indispensável ao seu maneio correto. Sem ele, a raça não se sustenta.

A mesma lição, três vezes

Há aqui um fio que atravessa o meu plantel inteiro. No London Fancy, os melânicos são o motor sem o qual não se produzem aves de topo. No Arlequim Português, a versão Par sustenta a versão Poupa. No Crest, o Crestbred sustenta o Crest. Em todas estas raças, o que parece secundário, o que não usa coroa nem brilha primeiro à vista, é afinal o que torna tudo possível. Quem despreza o parceiro de cabeça lisa não percebeu como estas raças funcionam.

O que distingue uma boa ave

A poupa é tudo, e nunca pode ser grande e redonda demais. Deve ser feita de penas largas e folhosas que irradiam de forma uniforme a partir de um centro pequeno e bem definido, caindo bem sobre o bico e os olhos. O corpo acompanha essa nobreza: ave grande, de cabeça maciça, pescoço curto e grosso, corpo largo e fundo, com farta plumagem. No Crestbred, avalia-se a qualidade do corpo e da plumagem e o potencial genético que transmite, sem a distração da poupa.

Porque importa

Criar Crest e Crestbred é trabalhar com uma das mais antigas linhagens da fancy inglesa e, ao mesmo tempo, dominar uma genética que não perdoa erros. É uma raça que exige conhecimento e respeito pelas regras de acasalamento, e que recompensa quem entende que a coroa só existe porque há quem a sustente.

Fontes de referência: Old Varieties Canary Association (OVCA) e sociedades especializadas do Crested Canary; literatura clássica da canaricultura inglesa de tipo.